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Lavras da Palavra

Gravura: Affirmation for 2010 by Yoko Ono

(Dedicado ao Poeta e Diretor de Teatro Paulo DePaula)

Escassos pêlos pubianos
navegam acorrentados a mirantes sem catamênios
– que nem prisioneiros em barrancos metafísicos
sob noites curtas (sem) de sexo.

Ai! Esses mesmos pêlos-martelos
são os ditos que atraiçoam os nutritivos espermas
ornados com vidros baços,
moldes de branda luz
e ossos de finas rendas.

Por eles
O barco dos loucos navega na masturbação do olhar
e regurgita a ácida argúcia
de sempre acreditar
que a poesia de mim brilha mais
que a desnudada luz.

(Devoro a orquídea mas douro o cais
e de quando em vez deito o tesão
sobre o tecimento da lonjura...)

Ai! Respingamentos de tímidas poesias
são mais desprezáveis que os sangues da liberdade
posto que jamais se estancam em modelar poema nú
como estacam-se de brusco,
e cada mágoa pontiaguda fica imersa num cismar
onde os casacos da solidão e do frio estacam perante
o segredo de desacreditar que o céu
opera nas imundícies e nas sádicas palavras do desejo,
esse, porque mal gerado.

Palmo e palmo o destino a pino
que tece (poeticamente) o corrimento da gala
–  mas gala que é gala se esgueira à maneira de urrar –
depois palmo a palmo desdouro o orvalho cheio de limo,
e então a vida é lá fora,
vai escorrendo (caninamente) livre nas gretas
e espadas da fala, mas com certeza lá fora...

Vai escorrendo, leve e solta,
ao som de blues da picareta,
neste inverno, de nevoeiro musculoso,
onde o que se olha é uma gravidez de nada:
derradeiros cozimentos, musgos,
rosas galadas,
angústias que nunca se calam.

© Benny Franklin

Santa Maria de Belém do Grão Pará

BENNY FRANKLIN

Poesias Verdes Fritas

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