Palavras em Cópulas

Fotografia de Robert Buelteman

Para Marven Junius C. Franklin

I
Talvez se eu descascasse chão
como Walt Whitman descascava manhãs de cios insepultos,
é certo que os meus ossos jamais fraquejariam
como fraquejam de morte os solstícios dos vômitos inumanos.

− Tempos de agora são outros.

As brancas noites ejaculam céus desaforados,
fomentam o glamour
que a beleza intelectual do silêncio não fustiga.

− Mundos de mim são outros.

As espetaculosas begônias menstruam convencidas
onde as pétalas (porque) beatniks
são como as concretudes carnívoras que contorcem-se de medo
(porque são como palavras esbofeteadas em cópulas)
e suas algemas são como pegadas murchadas ao vento
que velam outras coxas para a louvação da consciência...

Decerto...

Nenhum pão, nenhuma foda
por-se-ia a engravidar-me apenas por querer engravidar
qualquer soluço de fome.

II
Circunspecto.
Eu vejo as estrelas degustarem mentiras.
Eu observo os fêmeos-ares dos amantes
nutrirem os pastos dos musgos penianos...

As semeaduras das coxas enervadas,
enegrecidas, pontiagudas, retorcidas, desequilibradas
e agasalhadas são como os cristais
que forram os chãos zangadiços
 e como as flores que soletram o nome da aurora.

− Desafivelar montanhas,
flagrar anjos rebeldes copulando nas sarjetas,
forjar o silêncio quando tudo está consumado,
é tudo que se espera de um grande poeta...

Decerto...
Nenhum parto, nenhuma gravidez
por-se-ia a manipular-me apenas por querer manipular
qualquer interstício sem nome.

III
Oh, Luar de mim
que colhe bromélias desnudas
e as esparge para o infinito!
Remunera-me com bordeis e devolve ao indecifrável
os sonhos meus não tidos,
as magnificências pertencem aos abutres.

Os poetas?
Os vi. Escreviam poesias.
Romanceavam golfadas.

Não fosse o célebre vômito gostar da brisa
nenhum vazio, nenhuma palavra
copular-me-ia ao ver-me atado na aquiescência
da símile passagem...

Triturar-me-ia até tornar-me uma tristonha face
em meio a tantos gases lacrimogêneos...

Decerto...

Nenhuma imagem, nenhum dogma
por-se-ia em pé.

IV
Se a verdade dos fortes fosse rija
como são rijas as notívagas vaginas de transtempos,
é certo que a impotência humana não seria essa brocha gordurosa
que musculosa desampara as caras-brochas desvalidas
e as expulsa para a insensatez do nada...

Decerto...

Nenhum bálsamo, nenhuma crucifixação
proteger-me-ia das hemorragias mentais.

© Benny Franklin

5 Response to "Palavras em Cópulas"

  1. LiLa BoNi says:

    Copulando contigo!!!!!!!!

    Que paulada !!!
    De prima, como sempre !!!

    IVANCEZAR says:

    Benny:
    Um poema que , na imensidão do "decerto" , convida para reflexão .
    E no próprio corpo do poema está o enigma/chave: "o silêncio" ( coincidência que postei um poema com esse título em meu Blog ...
    Abraço BENNY

    Pura intensidades íntimas? abraço

    imoveis a venda

BENNY FRANKLIN

Poesias Verdes Fritas

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