Antro
I
Um cio copiosíssimo
repousa de modo fulminante em mim
- E eu vorazmente nele.
II
Vida! Oh, vida!
Afasta-me o sêmen inorgânico
com tampa de feixe flexível,
aquele que agoniza ébrio, inexato,
aquele que nu descamba coagulado, mofado,
poeticamente confuso; porque, qual sexo mal digerido,
permanece como animal estéril, negrejado,
que nem angina encharcada de fim.
aquele que agoniza ébrio, inexato,
aquele que nu descamba coagulado, mofado,
poeticamente confuso; porque, qual sexo mal digerido,
permanece como animal estéril, negrejado,
que nem angina encharcada de fim.
III
Tudo (nesse antro de cio) amarela
feito âmago turvo.
Tudo (nesse cio esburacado) se aposenta
feito memória de devedor,
a agonia diante da soma derradeira
de o seu próprio cobrador.
IV
Oh! Ser-me-ia de bom grado
se eu esquadrinhasse a camisa de Vênus.
Conjuro-vos, ó cerva do campo,
que assim (o antro de mim) ejacularia pela língua
e ainda emporcalharia o céu;
que assim beberia o néctar de Vênus
e ainda anarquizaria o mel;
que assim roubaria o vinho de Baco
e ainda contaminaria o fel;
que assim entortaria as curvas de Afrodite
e ainda babujaria o cio;
que assim abarcaria a imensurável pressa
e ainda atravessaria desertos para dizer que goza,
mesmo em sentido anti-horário,
mesmo contrário a tudo aquilo
e ainda emporcalharia o céu;
que assim beberia o néctar de Vênus
e ainda anarquizaria o mel;
que assim roubaria o vinho de Baco
e ainda contaminaria o fel;
que assim entortaria as curvas de Afrodite
e ainda babujaria o cio;
que assim abarcaria a imensurável pressa
e ainda atravessaria desertos para dizer que goza,
mesmo em sentido anti-horário,
mesmo contrário a tudo aquilo
que porcalha o mormaço de mim.
V
Infelizmente para vós, ó nudez lutulenta,
V
Infelizmente para vós, ó nudez lutulenta,
eu cubro o burburinho e a pressa
para recordar-vos que há sempre poesia no silêncio.
para recordar-vos que há sempre poesia no silêncio.
Felizmente para mim,
as após-palavras são entendíveis
mas não são pretextos palpáveis
mas não são pretextos palpáveis
para pronunciá-las com pudor.
VI
Se formidáveis são os soberbos palavrões poéticos,
se imutáveis são as compleições das orações inagozosas,
se os poetas, os últimos, não são publicáveis,
o que é a carne-mofo para não querer juntá-los
ao destino da última lágrima desse tempo
Se formidáveis são os soberbos palavrões poéticos,
se imutáveis são as compleições das orações inagozosas,
se os poetas, os últimos, não são publicáveis,
o que é a carne-mofo para não querer juntá-los
ao destino da última lágrima desse tempo
comum de nós?
VII
Bem verdade, é.
Se não fosse a volúpia de poeta agonizante,
se não fosse o cadafalso de água viva,
ó filhos do contra-sexo,
se fosse hoje, lançar-me-ia a cegas
às miras torturantes
se fosse hoje, lançar-me-ia a cegas
às miras torturantes
para sentir, na pele, a dor dos arqueiros
e a amolada rapidez de suas lanças.
© Benny Franklin
© Benny Franklin
"Sêmen inorgânico" ... meu caro Benny , você nos surpreende a cada novo trabalho, com um talento inesgotável. Sempre um prazer visitar teu Blog. Um abraço do sul !
Maravilhoso...simplesmente maravilhoso!!
E como não poderia faltar ... fotografia de NAOSOUEUEAOUTRA...magnifica!!!
Parabéns!!!
Mil beijos !!!!!
Parabéns por este espaço...
Escolhi como BLOG da semana no História Viva, se desejar retire o selo no endereço http://historianovest.blogspot.com/2010/04/blogs-da-semana.html
abraços
Benny
http://acroatico.blogspot.com/2010/04/homenagem.html
Eu antenada sempre
Olha que Lindo e merecedor
Sua poesia sempre a dor pelo falso homem que desdenha a sua aldeia de maneira gritante mas poucos veem tão acintosa como voce Poeta Maior e Parabens Vá em frente!
oshf
Olá
Lendo-te se não estamos no cio, ficamos ...
abraços
imoveis a venda